
Não importa quem você seja, um dia, alguma hora e em algum lugar aparecerá outra pessoa que será o seu juízo final amoroso. Será encantador, apaixonante e até dará a entender que existe recíproca.Até que, repentinamente, a sola do sapato estará atingindo os fundilhos da sua calça. E, essa pessoa, se tornará nosso ícone de inspiração quando bebemos, quando conhecemos alguém novo (seja para estabelecer um novo parâmetro) ou, simplesmente, quando vamos à macumba para "trazer à pessoa amada em 3 dias".
Não há nada mais afrodisíaco do que a rejeição.Em questão de minutos, ela transforma alguém "mais ou menos" para "uau!". Tenho um amigo que era o que chamamos de "pegador". Bonito, praticante de artes marciais, boa situação financeira, olhos cor de mel,ou seja, um verdadeiro galã de cinema. Arrumava a mulher que quisesse, onde quisesse e quando quisesse.
Até que um dia, pasmem: em uma festa, lá pelas 2:00 da madrugada, a frequência já não estava boa e o nosso herói apolíneo avistou uma mocinha, com suas amigas, no final do salão. Ela não era exuberante:morena, rosto normal, corpo igual a de outras 300 mulheres, nem melhor e nem pior; a popular "sem graça". Tinha até umas orelhinhas de abano, mas não era feia. Ele resolveu que iria conquistá-la, planejando isso com um ar de "farei um favor, para aquela menina, ao trocar minha saliva olímpica com a dela."
Ele se aproximou dela, conversou, deu a clássica puxadinha para o canto e quando resolveu finalizar o seu ataque, percebeu que uma das mãos da moça estava sobre o seu peito, afastando-o e jogando um balde de água fria com a sua verdadeira criptonita verbal: "não".
Pera aí, como é que é? Ela disse não? Se eu não acreditei, imagine ele. Foi algo como "pera aí, você está me dizendo não?!". E ela "É, não."
Ele perguntou: "Porque?"
E ela rebateu: "Por nada, só não estou afim".
Foi ai que surgiu o amor ao primeiro "toco". Subitamente ela passou a ser a mulher mais linda e desejável do mundo. Mesmo assim, sem pestanejar, ela não desistia dessa ideia. Recordo-me bem do seu Gran Finale:
"Cara, não me leve a mal, mas você é muito playboy. Você é muito metido e eu não gosto de homem assim" - ela disse.
"Mas então você está me dando o fora porque me acha bonito demais pra você?"
"Não, eu não te acho feio e muito menos bonito.Você é normal.É que eu não quero mesmo, não rolou.Não há nada que eu possa fazer..."
Eu fiquei assustado quando ouvi isso.Foi nesse dia que ele desistiu.Ele nunca mais apresentou aquele ar de triunfo, pois havia perdido uma partida para um time que era considerado como sendo da "segunda divisão".
Com os relacionamentos acontecem o mesmo. Ninguém ama o outro da mesma forma que é amado.O amor não pressupõe equilíbrio. Existe a troca, amor por amor, mas a quantidade não está no contrato.
Nem sempre o lado que recebe o menor quinhão é o que sofre mais no final. Quem é mais presente, mais carinhoso e mais amoroso, geralmente, fará mais falta. De fato, ninguém sente saudade daquilo que nunca esteve conosco.
E nada pior do que encontrar, após o final da relação, o nosso ex sem demonstrar a menor saudade de nós e já resolvido "em outra". Até podemos estar bem acompanhados, mas a idéia de que não fazemos mais tanta falta quanto achavamos é dolorosa. O ressentido não dói porque ele está melhor do que nós, mas porque não está pior.
Daí a minha adaptação da epigrafe: "ex bom é ex morto". Particularmente, ela é péssima.Fora do laboratório de anatomia,não gosto de imaginar um ex morto. Primeiro porque seria dramático demais e segundo porque morto não sente falta de ninguém. Nesse caso, somos nós que sentimos a sua falta. Prefiro dizer que ex bom é ex bem vivo, de preferência embarangado e com alguém bem pior do que nós.Assim, é mais divertido...
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