
Era cedo e ela já estava lá: aninhando, o seu filho, em uma fila do ambulatório. Não seria a primeira a ser atendida,mesmo acordando às 4h da manhã,ter caminhado muito e ter feito baldeações entre trens e metrôs. Para ela,morar em Carapicuíba era difícil. Mas o local não foi escolhido,mas sim,imposto por suas condições financeiras.
O seu filho possui um problema de má formação do nervo oftalmico (primeira divisão do nervo trigêmio). Estava sendo tratado pelo centro de tecnologia da Unifesp. Como qualquer ambulatório público,a sua fila assusta: percorre um quarteirão e adentra no estacionamento da biblioteca central.
Mas ela não estava nervosa.Ao menos,não parecia estar. Cantava, para o seu filho, com um tom de voz doce. Ele a respondia com um rosto angelical de sono. Para ele, a voz de sua mãe era o único modo de conseguir reconhecê-la.
O portão se abre e ela consegue se sentar.Senhas são distribuídas. Não há preferência no atendimento.
" - Tive sorte, peguei o 52. Logo irei para casa. Teve dia que já peguei pra lá de 100." - comenta ela.
Sorte? Ela não teve sorte. Não é sorte ser atendida pelo S.U.S. É um dever do estado e direito do cidadão. Mas quem o estuda,sabe: o sistema está precariamente distribuído e beira a falência.
Nesse caso, ela possui muito amor. Tanto amor que,esse, faz com que o seu filho seja o motivo de se comprometer com a vida. Esse pensamento pode parecer comum,mas não é! Quantas crianças estão por ai, abandonadas pelas suas famílias? São tanta que existe, no centro da região metropolitana, um albergue, especialmente, para acolhe-las.
Essa mãe não é um exemplo atípico. Não sei quando ela foi atendida e,muito menos, como ela foi atendida. Refletir,sobre isso, fez com que o meu desejo de ajudar crescesse. Sorte foi a minha, pois escolhi o curso certo.
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