
Ela já é formada. Experiente, simpática, humana, educada, polida, ...; fiquei encantado. A sua história é bem legal: foi a primeira a cuidar dos portadores do HIV, ficou famosa, obteve contatos, foi à África, foi à Amazônia, foi à Patagonia, foi à Roma, voltou, casou-se, construiu uma casa na praia e se aposentou. Vive com o seu marido, um ex-militar fugitivo, e o seu cachorro.
Ela é bem ativa e tem uma energia incomum. Recebeu-me com abraços, elogios e docinhos. Reconheceu a minha faculdade, os meus professores e, com um enorme album de fotos, se emocionou ao relembrar o seu passado. Ficamos conversando por horas. Ao final da conversa, ela disse:
" - Volte ! Eu tenho um quarto nos fundos. Quando você quiser passar uma temporada na praia, é só me ligar. Fale para a sua familia também. Faça com que a sua mãe vire a minha amiga. Mande notícias. Às vezes, me sinto sozinha"
Mesmo morando com o marido, com a constante visita dos filhos e amigos, ela se titula como solitária. Não é para menos:durante anos, ela conheceu o mundo, conheceu pessoas, lugares e emoções. Deve mesmo ser difícil lidar com a passividade da idade avançada. E esse será o nosso futuro dilema: quando o tempo não será mais uma solução, mas sim, um problema.
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