Era cedo e o sol ainda não mostrava sua face.
Cama, banho, terno, café e rodízio.
Chegaria mais cedo e dormiria no carro até o horário certo.
Parou: mas qual
horário? A da ida, o da vinda, o do encontro, ou o de apertar o replay desse ciclo?
Não pensou, pois não era preciso.
O automático já estava ativo e ele já estava
engolindo a segunda fatia do seu pão.
Já com o carro ligado, olhou no
retrovisor sua camisa pendurada para não amassar.
Era sexta e sentia-se
aliviado por isso.
Sem razão, a noite acabaria em uma mesa de bar. Felicidade plástica,
mas era o que ele desejava.
Era cedo,mas já pensava em poder sair dali, de tudo e
de si. Para que?
Não pensava, mas gostaria. Uma balada, talvez. A noite pode
perdurar mais em uma pista de dança.
Afinal, queria aproveitar todos os prazeres que a vida poderia oferecer
Mas para
que? Não pensava, mas queria.
O automotico não pede esses tipos de
questionamentos.
Para ele, era somente ligá-lo e pronto: tudo resolvido.
Já na pista de dança, resolveu brindar:
1 copo: um brinde a minha vida
2 copos: um brinde
a quem eu sou
3 copos: um brinde as minhas conquistas
4 copos: um brinde ao meu
condicionamento
Não lembra se brindou pela quinta vez, se beijou alguém, se transou com um desconhecido, ou como chegou em casa e tirou a roupa. Para ele, isso também acontecida automaticamente.
Não lembra se brindou pela quinta vez, se beijou alguém, se transou com um desconhecido, ou como chegou em casa e tirou a roupa. Para ele, isso também acontecida automaticamente.
Cambio e desligo.
