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quinta-feira, 8 de setembro de 2011



Era cedo e o sol ainda não mostrava sua face.
Cama, banho, terno, café e  rodízio. Chegaria mais cedo e dormiria no carro até o horário certo. 
Parou: mas qual horário? A da ida, o da vinda, o do encontro, ou o de apertar o replay desse ciclo? 
Não pensou, pois não era preciso.
O automático já estava ativo e ele já estava engolindo a segunda fatia do seu pão. 

Já com o carro ligado, olhou no retrovisor sua camisa pendurada para não amassar.
Era sexta e sentia-se aliviado por isso. 
Sem razão, a noite acabaria em uma mesa de bar. Felicidade plástica, mas era o que ele desejava.

Era cedo,mas já pensava em poder sair dali, de tudo e de si. Para que? 
Não pensava, mas gostaria. Uma balada, talvez. A noite pode perdurar mais em uma pista de dança. 
Afinal, queria aproveitar todos os prazeres que a vida poderia oferecer

Mas para que? Não pensava, mas queria.
O automotico não pede esses tipos de questionamentos.
Para ele, era somente ligá-lo e pronto: tudo resolvido. 

Já na pista de dança, resolveu brindar:
1 copo: um brinde a minha vida 
2 copos: um brinde a quem eu sou 
3 copos: um brinde as minhas conquistas 
4 copos: um brinde ao meu condicionamento

Não lembra se brindou pela quinta vez, se beijou alguém, se transou com um desconhecido, ou como chegou em casa e tirou a roupa. Para ele, isso também acontecida automaticamente. 

Cambio e desligo.