sexta-feira, 9 de setembro de 2011
Esse trem permanecerá parado por conta de uma falha no sistema. Normalizaremos em instantes...
Ele não estava nem aí para a questão do tempo.
Para onde ia, não existia regras, ou alguém para ditar o ritmo da música.
Para alguns, lá só existia o prazer; puro gozo, desejo obsecados de dois corpos que se encontram.
Para ele, não muito. Já estava cansando de sua jaqueta surrada e sua calça da Calvin Klein.
O que ele mais precisava agora era de um cliente.
Sim, suas roupas, suas necessidades e sua felicidade pediam isso.
Mas o seu corpo voltava, como se estivesse paralisado perante a morte.
Mesmo assim, era isso que aconteceria naquela noite. Estava partindo para a guerra carnal sem um grande aliado: o desejo.
Tentando não pensar, olhou ao redor.
Ao seu lado estava um rapaz, quase com sua idade, lendo algo que pouco entendeu. Talvez jamais entenderia, pois os recursos foram escassos. Estava ali por um mix de carências, tanto ecônomicas, quanto afetivas e
educacionais.
Vê-lo remeteu ao pensamento de que poderia ter se esforçado mais e ter traçado um outro perfil de vida.
Poderia? Ou ele era produto do meio, em que a falta de oportunidade o fez assim?
Ele estava sem respostas.
A única coisa que sabia era que o seu destino seria esse: ao final da noite, teria usado e sido usado em troca de dinheiro.
Prazer? Claro que possuía.
Não era um santo e estava alí por algumas vantagens.
E, como tudo na vida, havia um outro lado.
O seu maior problema era o enfrentamento de ter muitos em sua cama, mas nenhum ao seu lado.
Beberia para esquecer? Aceitaria a realidade social?
Nesse momento ele escuta: o problema foi resolvido. Desculpem o transtorno. Próxima estação...
