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domingo, 11 de setembro de 2011

Uma saída


 De Anderson Fernandes: 


Todos os dias são a mesma coisa
Você atravessa a porta sem fazer barulho
Fingindo que chegou há horas antes
E eu fingindo que durmo e que acreditarei em suas mentiras


Eu me anulo a troco de alguma coisa que eu não sei o que
Talvez o medo de me ver sozinha e carente
Pois se é ruim com você, imagine então sem


Mas meus ossos pesam, meu corpo inteiro dói
Sinto que não vou conseguir vencer a cama.
E eu sei que a culpa não é sua
Embora isso não signifique que eu esteja assumindo algo


Nós dois somos responsáveis pelas coisas que fazemos
E pelas coisas que deixamos que façam conosco
Somos, portanto, carrascos e mártires da nossa liberdade
Pois estamos fadados a sermos eternamente livres


Esta cama sabe disto e conta com meu libre arbítrio
Para me deixar acomodada e encostada nela.
Estou tão absorta neste frenesi que nem notei sua saída
Fingi que não te vi chegar e, de fato, não te vi sair.


Praticamente uma fábula. Ironica e controversa.
Que traz como moral da história uma grande lição
A de que livres, nem sempre sabemos tomar nossos caminhos.
E tudo que eu queria hoje é alguém pra me guiar

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