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sábado, 10 de setembro de 2011




Angustiada. Pela terceira vez consecutiva estava acordando assim. Dessa vez não era pelos clientes, nem pela a data de uma tribuna que se aproximava.

Revirou-se na cama tentando se enganar.  Pensava em sua agenda, em seu trabalho e na manhã que estava começando. Mas no fundo, surgia aquela voz: tudo está ruindo.

Logo após, veio em mente a imagem que criou: uma casa, feita de palitos de picolés, colados delicadamente. Ela sempre foi péssima no artesanato e sabia que essa construção só existia por conta dele. Ele era o motivo de tudo...

Para sua infelicidade, essa casa estava abalada. A chuva e o vento fizeram com que alguns palitos se descolassem e caíssem. Ela, em um desespero mórbido, tentava recolocá-los no lugar. Mas a casa os rejeitavam, como um organismo que luta contra um antígeno.

Claro que ela estava triste. Na vida, aprendeu como vencer profissionalmente. E agora? Quem a ensinaria como vencer no amor?

Era por isso que a casa estava ruindo. Prendeu-se a um ideal capitalista e se esqueceu de que era um ser social. Deveria ter prestado mais atenção quando aprendeu isso na graduação.

Recusou perdê-lo e decidiu agir: levantou e caminhou até o sofá onde ele dormia.  Vagarosamente, o acordou com uma voz angelical. Olhou em seus olhos e começou a chorar.

Naquela manhã, ela conseguiu abrir o seu coração, mesmo com a fechadura enferrujada pelas atitudes do passado. Fez o que pode...

Hoje ela espera colher o fruto. Ainda dorme sozinha, apesar de não desejar isso. Deitada, como de costume, olha para o lado, admira o retrato dos dois juntos e diz: boa noite, meu amor.